Cura
A cura da Síndrome do Pânico não é feita da noite para o dia. É um caminho de autoconhecimento. Onde encontramos causas, gatilhos que disparam a crise, conhecemos os nossos limites e aprendemos a nos empoderar. Normalmente é um combo. Cada um se identifica com um caminho. Seguem alguns relatos inspiradores.  
Se você está curado encaminhe o seu relato: infinityzenapp@gmail.com com certeza dará esperança para muitos portadores. 


Relatos de Cura

Meditação em Forest

A.M, 48 anos

Tive crise do pânico por 2 anos. A minha primeira crise foi após a separação de um casamento de 16 anos. Fui logo procurar ajuda psiquiátrica e psicológica. Tomei remédios controlados, homeopatia, floral, fiz yoga e  pilates (que auxiliaram na respiração),  fiz exercícios aeróbicos (que simulam aceleração dos batimentos cardíacos), aumentei meu contato com a natureza, fiz dieta com redução de açúcar e alimentos que auxiliam na sensação de bem estar. Busquei o autoconhecimento na terapia, na meditação Raja Yoga Brahma Kumaris, no grupo de autoajuda Convivendo. Assisti vídeos de mensagens, de meditações, de imagens e sons positivos, fiz leituras de autoajuda, e por fim, a religião do budismo de Nitiren Daishonim (onde "determinei" que não teria mais crises). Esse foi meu combo!  Estou curada fazem 3 anos. Ainda faço terapia, acho que o autoconhecimento e o entendimento de quem somos é fundamental para melhora de tudo na nossa vida. Quando aparecem situações que podem me levar a crise, eu sei como pensar e conduzir para que elas não evoluam, então elas desistem de me pegar! A cura está dentro de nós. Eu transformei o veneno em remédio e resolvi criar o aplicativo Infinity Zen, como ferramenta para auxiliar no tratamento do transtorno de pânico.  

ilustrado sonho

R.S

O caminho da minha cura primeiramente foi Deus. Depois minha família. Eu fiz terapia, tomei remédios, hoje não tomo mais nada. Aprendi a me controlar , sei quando uma crise vem e sei que passa rápido, sei que eu não vou morrer com isso. Controlo os meus pensamentos  e não entro em pânico como antes. Sei que é passageiro, converso comigo mesmo. Hoje faço de tudo, inclusive trabalhar.

Banho de sol

C.S, 60 anos

Bem, no começo eu achava que estava ficando maluca. Sentia coisas estranhas, como um medo desconhecido. Com o tempo, fui piorando, "do nada" sentia a morte se aproximando de mim, e isso era um terror indescritível. Quando descobri que era crise do pânico, de cara, entrei na medicação. Fiz terapia, a fé também ajudou bastante. Digo que hoje, estou 90 % curada. Às vezes, começo a sentir que essa sensação está querendo vir, mas como já sei que o que é, consigo controlar. Vou fazer algo que gosto, ver amigas, passear, ler um livro, caminhar ... ou simplesmente ignorar e deixar passar.

A Girl Natural

E.P, 26 anos

Eu já tinha ansiedade desde criança, lembro dos primeiros ataques de pânico com uns 5 anos, mas eu não sabia o que era. Comecei a desenvolver depressão quando minha mãe faleceu, eu tinha 10 anos. Pedi pra trocar de escola e foi pior. Comecei a travar quando tinha muita gente em algum lugar na escola, na escada, e em várias situações. Terminei os estudos, fiquei 1 ano esperando o curso de psicologia, pois eu já via na família e queria entender o que se passava na cabeça das pessoas em surto (meu caso é genético), mas esse ano eu fiquei só em casa, sem rotina, então os transtornos se manifestaram com mais força. Eu sofria desde criança e pensei em desistir, falei pra uma tia que eu não aguentava mais viver, e ela falou "calma, amanhã te levo no psiquiatra, aguente só mais um dia". Comecei a tomar carbolitium, e ele só me deixava dopada e caindo, nenhuma melhora, até que tive um surto psicótico e mudei de psiquiatra, foram anos de luta. Eu melhorava da depressão, piorava a ansiedade, a síndrome do pânico, melhorava a ansiedade, tinha quadro compulsivo bipolar, ou depressivo, ou maníaco... Eu tinha milhares de transtornos e problemas emocionais. Eu tinha medo de ver gente, tinha medo de andar e cair (olha o nível) devido a um remédio para depressão que travou minha perna. Toda vez que eu ia andar eu lembrava, e ela travava de novo (medo do medo), eu tinha medo de quase TUDO. Se eu ousasse sair de casa vinham os sintomas conhecido (tremor, coração acelerado parecia um pesadelo e eu só queria voltar pra casa). Além de tudo tinha a depressão, fiquei em casa, na cama por uns 2 a 3 anos. Eu não fazia mais NADA, larguei faculdade e todos os hobbies. Um dia minha vó falou "uma menina tão bonita e nova cheia de roupa nova, bonita e não usa porque não sai da cama", eu chorei olhando pras roupas. Então, certo dia eu fiz promessa pra São Francisco de Assis, que minha vó é devota. Creio que em uma semana eu tive uma convulsão emocional que expulsou tudo de ruim, o peso do passado, os medos, tudo. Percebi, de repente, que não tinha mais medo, que estava andando bem, que não me sentia mais dependente dos outros pra andar. Eu percebi que não existia mais aquele medo irracional e até andei de ônibus que morria de medo. Hoje depois de 5 meses sem crise, sinto que estou voando quando ando sem a mão de ninguém, me sinto livre, um pássaro que saiu da gaiola. Minha psicóloga disse que não existe cura, a gente aprende a dominar. As vezes me pego com ansiedade, mas nada comparado com antigamente. Ainda preciso tomar remédio (tomo sonífero e o remédio para bipolaridade, sem ele eu caio na depressão e na compulsão). E tenho o remédio da ansiedade, caso eu tenha  uma crise na rua. Mas sim, eu aprendi a dominar, hoje estou apta a fazer qualquer atividade. Cinco meses sem nenhuma crise, completamente estabilizada. Eu venci! Eu tenho o controle! Eu aprendi a dominar! Parece impossível, mas não é, um dia você aprende a ter controle, você aprende com as próprias crises e começa a dominar. Confie em si, tenha fé, faça terapia e vá ao psiquiatra! A doença não tem "cura", mas você aprende a perceber quando o medo ou a tristeza quer vir e chuta elas pra bem longe!

Avatar 108

G. R 

Lutei contra a agorafobia por 8 anos e agora estou tendo uma vida normal. Tive vários ataques de pânico e sintomas de ansiedade. Encontrei uma maneira de lidar com as crises de pânico em casa (eu deitava na cama, respirava devagar e acabava dormindo). Mas, obviamente, não tinha como fazer isso num restaurante, cinema, avião, rua ou num show. 
Eu tentei tudo para distrair a mente (cantar, orar, contar pessoas e carros), nada funcionou. Li livros, assisti vídeos, fiz terapia. Eu ficava agitado porque tudo o que eu tentava não funcionava e não dava tempo pro meu organismo relaxar. Descobri que o segredo é confiar em seu corpo e aceitar as sensações. E é algo difícil de fazer, porque você quer se livrar delas. 
Assisti a dois vídeos que me ajudaram: o primeiro, é um médico falando que por piores que sejam as sensações, são apenas um desconforto. Todo mundo pode sentir um desconforto, como dor de cabeça ou de dente. A diferença é que quem tem Síndrome do Pânico acha que esse desconforto vai aumentar até a pessoa perder o controle.
O segundo vídeo, fala pra ressignificar as sensações. Relata que são parecidas com as sensações que a gente sente quando estamos  excitados. Então, precisamos "falar" isso pro cérebro, pra que ele entenda como uma coisa boa.  
Depois desses vídeos, toda vez que sentia aquela pressão no peito, pensava que era apenas um desconforto. "Um desconforto horrível, mas um desconforto". Eu costumava fazer uma caminhada todos os dias, e sempre repetia esse "mantra" e tentava repetir "estou excitado com essa sensação". Comecei a perceber que os sentimentos de ansiedade estavam diminuído. 
Saber disso me fez perceber como desarmar a bomba no estágio inicial. Porque, se eu reagisse com medo, o medo levaria mais adrenalina à corrente sanguínea e os sintomas aumentariam. Percebi que, depois uns 20 minutos, me sentia melhor. Isso me deu confiança e fui fazendo a mesma coisa em todas as situações. Hoje eu vivo basicamente uma vida normal. Ainda tenho alguns medos, como viajar, mas hoje já encaro essa possibilidade com mais naturalidade. Eu aprendi a lidar com as sensações, mas ainda sinto de vez em quando (e espero passar). Agora preciso ir na raiz do problema. Síndrome do Pânico geralmente é um acúmulo de stress, são o nosso corpo e alma gritando socorro e pedindo pra gente mudar de vida. Quero  fazer meditação, cuidar da minha espiritualidade, me alimentar melhor e descobrir o que me causa mais stress. Vamos que vamos! 

Menina do outono

P. M, 36 anos

A 2 anos atrás por problemas na empresa, ex sócio que por sinal era meu "ex namorido", eu desenvolvi crise de ansiedade, parava direto no hospital achando ser infarto. Até que um dia, fazendo a unha no salão, conheci uma mulher que havia perdido as duas filhas assassinadas de forma cruel, dentro de sua própria residência. Quando ela me viu tendo as crises, me disse: "jogue tudo para o UNIVERSO." Ela foi me acalmando, e após a crise ela começou a me contar sobre a sua história e que só superou com ajuda da meditação e medicação. Eu sabia que mal não podia fazer, então resolvi tentar. Coloquei no YouTube "meditação guiada" e comecei fazer na hora de dormir.
Passei a fazer também na hora do meu almoço, eu corria para o carro e fazia 15 minutos de meditação guiada para silenciar a mente. Após 2 meses de crise, veio a labirintite emocional.  Aí sim eu vi meu mundo literalmente girar. Não larguei a meditação, pelo contrário, mesmo tontinha eu fazia. Tomei a medicação escitalopram e aí me lasquei, comecei a ter ataques de pânico. 
Larguei este remédio e só tomava chá de Melissa, suco de maracujá (tudo natural). Depois de 3 meses consigo administrar a crise de ansiedade super bem (com as meditações do YouTube). Já para a labirintite eu continuo tomando medicação, senão eu fico rodando parada! Estou aprendendo gestão emocional e tenho fé que logo estarei curada da labirintite. Tenham fé e determinação. Não se entreguem. Sempre falo para a ansiedade: "aqui NÃO!!"

Flutuando no mar

F.B, 45 anos

Tudo começou quando eu tinha 9 anos de idade. Eramos em 4 irmãos, eu a segunda filha. 
Meu pai batia na minha mãe e quebrava tudo em casa. Uma vez eu e a minha irmã mais velha acordarmos com meu pai gritando no quarto que ia matar minha mãe. Nós começamos bater na porta até ele abrir, quando ele abriu, corremos pra minha mãe... Apanhamos todas juntas naquele dia. 
Na noite seguida, minha mãe trancou a porta do quarto para ele não entrar. Ele chegou bêbado, tentou entrar e não conseguiu. Eu vi na penumbra da luz do corredor, quando ele entrou no meu quarto, veio na direção da minha cama, se deitou... o cheiro de bebida era forte, eu fingi que dormia. E ali, ele abusou de mim... me calei por anos. Me sentia suja, com nojo, e não conseguia falar pra ninguém sobre o acontecido.
Quando completei 16 anos tive a minha primeira crise de pânico. Achei que estava morrendo. Várias vezes indo e vindo de hospitais. Um médico disse para minha mãe: sua filha precisa de um tratamento com psiquiatra. Fui em vários, vários medicamentos, até acertar com dois tarjas pretas que me faziam dormir demais, porém, fiquei anos tomando.
Com o tempo, aprendi a me controlar, aprendi a respirar, aprendi a desfocar os pensamentos negativos! 
No psiquiatra eu descobri o porque disso tudo, que era da minha infância. Então, resolvi contar tudo pra minha mãe. Nessa época ela já estava separada dele a anos. Ela foi atrás dele, brigaram. E ele veio me procurar, chegou na minha casa e disse que eu estava mentindo, eu já tinha 28 anos nessa época, eu olhei pra ele e disse que eu não mentia e contei com detalhes sobre a noite de horror. Ele me deu um murro na cara, eu perdi o meu controle e bati muito nele. Com socos, tapas, chutes e lágrimas tiveram que me segurar e mandar ele embora. Mas me senti em paz!
Nessa mesma época eu estava casada com um homem (eu achava que era o homem da minha vida!) A gente vivia bem e eu era feliz!
Senti que estava bem e fui parando a medicação devagar. Comecei a viajar, dirigir, viver uma vida normal!  Foi então, que descobri que meu marido estava usando crack.  As coisas sumindo dentro de casa, faltando dinheiro, outra luta começou. 
Mesmo sem medicamentos eu lutei pra ele sair do crack. Mas ele não conseguiu e um dia fez um assalto e foi preso. 
Nem sei como consegui ir na penitenciária terminar com ele.  Aquele lugar horrível, cheio de portas. Passei muito mal, achei que não conseguiria, mais era preciso. Terminei com ele , mesmo gostando dele ainda. Eu lutei por ele, mas não tinha mais forças pra ficar nessa luta. Não sabia, mais outra luta iria começar.  Comecei a ter sangramentos pelo nariz, boca, menstruação por muitos dias. Fui atrás de exames. Descobri que ele tinha me passado Aids. A síndrome do pânico voltou. Porém, eu sabia como enfrentar, mas estava sem forças pra isso. Não aceitava essa condição. Por meses tive crises, um dia me levantei , me olhei no espelho e disse pra mim mesma: você precisa ser feliz!  Comecei o tratamento do HIV, voltei a trabalhar, sempre respirando, desfocando os pensamentos, me permitindo! 
Ele morreu tem alguns anos. Me pediu perdão quando saiu da prisão. Eu o perdoei, principalmente por mim.
Hoje tenho 45 anos. Tenho filhos que não tem HIV, tenho um marido maravilhoso que também não tem o vírus, sabe das minhas condições e me ama intensamente. Sou feliz apesar de tudo! 
Não tenho mais crises, ajudo outras pessoas com síndrome do pânico e descobri que estamos aqui pra ajudar o próximo, pra aprender sempre e ser feliz!